Beleza

2015: O ano em que as mulheres mais gritaram e finalmente conseguiram ser ouvidas

Fazendo um balanço geral do que 2015 representou pra gente, apesar de tanta coisa ruim e desastres que aconteceram, o ano que está indo embora teve um gosto de vitória por parte das mulheres. Foi o ano em que mais se falou de violência contra mulher, assédio, abuso de poder, desigualdade salarial, saias longas, médias, pequenas ou minis e até mesmo a cor de um batom: a vermelha.

Nunca uma cor de batom fez tanto barulho. Nunca uma cor de batom foi tão julgada. Nunca, na vida, as mulheres fizeram tanta questão de passar essa cor de batom tão clássica que compõe as maquiagens mais sofisticadas. E como uma cor pode ser tão vulgar e divina aos olhos dos outros. Esse ano, o vermelho imperou nas bocas e no coração. Esse ano, passar o batom vermelho foi uma questão de honra. Porque não é a cor do batom que define suas intenções, é você. E infelizmente alguns homens não entendem isso. Mesmo com tantos questionamentos, essa cor ainda é a definição de mulheres que são de respeito e mulheres que não são. Infelizmente a mentalidade de homens da caverna ainda impera na sociedade.

Divulgação

Divulgação

Todas as mulheres são de respeito. Todas as mulheres, independente da cor do batom que ela esteja usando, merecem e devem ser respeitadas. Isso é um direito estabelecido na constituição e não um acordo informal. Então, você, sr. machista, entenda que o batom vermelho não é um convite à sedução, não é um convite à uma relação sexual não consentida, não é uma forma de se fazer vulgar ou simplesmente a mulher que passa na rua não está te provocando só porque ela está com a boca cor de carmin. Ela simplesmente é livre para usar a cor que ela quiser e por isso ela usa o batom vermelho. Usa para se sentir confiante, para se sentir livre, para se sentir linda e isso não é para você, sr. Machista, isso é para ela.

O tamanho das saias também deu muito o que falar. O que você, sr. machista, tem a ver com o tamanho da roupa das mulheres? É necessário repetir aqui que as mulheres são livres e que uma saia curta ou longa não é um convite para nada? Aliás, a mulher terá uma relação com você se ela quiser e ponto. Não adianta forçar, não adianta dizer que “ela está pedindo”, não adianta agir como um animal por instinto e dizer que foi mais forte que você. Isso dá cadeia, sr. Machista. Isso é abuso, assédio, violência, contra nós, mulheres, que merecemos todo o respeito do mundo.

Reprodução Internet

Reprodução Internet

Esse ano também foi ano de comemorar a mudança de visão das marcas perante nós mulheres. Muitas marcas começaram a nos enxergar como seres fortes. Nada daquela história de que mulher é o sexo frágil. E é por isso que deu tanto orgulho ver um comercial pensado para conscientizar a população de que as mulheres são fortes e que devem ser mais confiantes. Aprendemos que “agir como menina” não é agir sem garra, ou agir de forma mais delicada, aprendemos que agir “como menina” é dar o melhor de si e conseguir alcançar qualquer desafio. Aprendemos que a “real beleza” está dentro de você, no seu caráter e na sua personalidade. Cada pessoa tem um corpo e isso não a faz ser menos bonita do que a outra. Aprendemos que a “Real Beleza” é aquela confiança que precisa ser despertada dentro da gente. Porque aí, uma vez despertada, ninguém te segura mais, vai por mim. Aprendemos que “beleza não tem regra” e que, sim, você combina as cores que quiser e ninguém tem que dar a opinião se isso combina ou não com você. Isso eu admiro a “Quem Disse Berenice?”, desde o início com esse lema. E daí que você é uma senhora e não pode usar um olhão esfumado? Que você tem um bocão e não pode usar um batom mais chamativo? Que seus olhos são pequenos e que você não deve usar lápis preto? Você pode tudo. E pode mais ainda se aceitar como você é.

campanha

Finalmente entenderam que cólica não é “mimimi” como foi citado em uma propaganda, muito mal elaborada por sinal por várias mulheres. E que a cólica menstrual é algo sério e que em alguns casos pode indicar até uma doença: a endometriose. Logo, esse ‘mimimi’ que o tal comercial e um certo político chegou a se referir às dores das mulheres, não as fazem menos capacitada do que os homens. Esse político que a grande maioria sem massa encefálica venera, chegou, inclusive, a falar que em uma empresa, mulheres não deveriam ser contratadas pelo prejuízo gerado simplesmente por passar por todo o estágio de ser mulher: cólicas menstruais, gravidez, licença maternidade… Coisas que a maioria das mulheres passam e por isso são julgadas previamente antes de serem contratadas.

Este ano também se falou muito em desigualdade salarial. E essa questão até hoje não foi resolvida, mas tocar na ferida já é um ponto positivo. Ser homem ou mulher não te capacita mais ou menos. Ser homem ou mulher simplesmente te coloca em condições iguais de competir por um cargo de trabalho, cujo o salário deve ser igual para os dois. Será que é tão difícil entender?

jogos vorazes

Jennifer Lawrence, a atriz mais bem paga de Hollywood, levantou esse debate ao descobrir que mesmo sendo a protagonista dos filmes, ganhava menos que seus colegas de trabalho homens. Logo em seguida, Lawrence escreveu uma artigo questionando O sexismo na indústria cinematográfica. Várias atrizes comentaram publicamente sobre isso. Gwyneth Paltrow foi uma das que afirmou que um salário inferior desqualifica o seu próprio trabalho, seja ele em milhões ou não. Foi o ano de mulheres corajosas em filmes, tanto em ‘Jogos Vorazes’, como em ‘Star Wars’. Duas franquias de sucesso que trouxeram mulheres com garra e determinadas a alcançar seus objetivos.

discurso

E o que dizer do discurso maravilhoso de Patricia Arquette durante seu discurso ao ganhar o Oscar de melhor atriz coadjuvante? Ela pediu igualdade de gênero. Assim como fez no discurso em defesa dos direitos das mulheres em um evento da ONU. “Isso é 2015, não 1915! Paguem de acordo com mérito e sejam transparentes sobre o que guia as decisões salariais. Legisladores, pagamento igual não é uma causa radical!”, afirmou em seu discurso.

https://www.youtube.com/watch?v=Dfpcy7oc1-w

Também ficamos surpresos aos descobrirmos que o primeiro assédio ocorre com meninas bem abaixo dos 10 anos e que na maioria dos casos, é dentro de casa que os abusos sexuais acontecem. Um assunto que precisa e deve ser alarmado à exaustão. Além disso, homens do próprio convívio das mulheres têm atitudes machistas, ainda que não se considerem como tais. Verdadeiros hipócritas. Esses “amigos secretos” são aqueles que vazam o vídeo íntimo da ex só por uma vingança idiota, são aqueles que classificam mulheres como “putas” ou “pra casar”, que acham que lugar de mulher é no fogão ou para servi-los, que acha que mulheres devem ser tratadas como produtos e que, sim, pensam que não existem mulheres inteligentes e bonitas. Ou elas são bonitas, ou são inteligentes. As duas coisas, para essas pessoas, jamais devem ser associadas. Pobres homens da caverna. Dignos de pena.

Reprodução Internet

Reprodução Internet

Esse ano foi o ano em que as vozes de tantas mulheres oprimidas foram ouvidas. Esse ano foi o ano de gritar até não poder mais e de exigir que os direitos fossem cumpridos. Esse ano foi o ano de se orgulhar e de perceber que milhares de mulheres são feministas e não sabiam. Porque lutar por direitos iguais é isso, feminismo. E não, não queremos ser melhor do que os homens, apenas queremos ter os mesmos direitos: o direito de andar na rua sem ser assediada, o direito de receber um salário na mesma faixa que o meu colega de trabalho homem, o direito de disputar uma vaga de igual para igual, o direito de vestir uma roupa ou usar uma maquiagem sem ser julgada ou sem achar que estamos mal intencionadas, o direito de conseguir ir e, por fim, o direito de conseguir chegar lá, em qualquer lugar!

Manifesto contra o corpo ideal fez sucesso nas redes sociais e mulheres mostraram que todos os corpos são ideais desde que você esteja feliz com ele

Manifesto contra o corpo ideal fez sucesso nas redes sociais e mulheres mostraram que todos os corpos são ideais desde que você esteja feliz com ele

Foi um ano de descobertas, aceitações e principalmente, de orgulho por essa luta que não está nem perto de acabar. Um brinde a todas as mulheres do mundo. Porque em qualquer lugar do planeta, merecemos e devemos ser respeitadas por nossas escolhas. Um feliz 2016 para você, mulher, ou homem, que estiver me lendo. Que você tenha consciência que o feminismo é importante para todos nós. Desejo a você, meus sinceros votos de que esse novo ano nos traga boas notícias em todos os aspectos da vida e a consciência de que não é o ano que muda somente, é você que tem que mudar para que as coisas de fato aconteçam na sua vida.

foto 1

Relacionadas

Comentários

Perfil

Bianca Lobianco é jornalista, carioca, tem quase 30, é fã de música pop, novelas e adora um hambúrguer. Vê na moda e na beleza uma possibilidade de se reinventar de acordo com o humor, sem grandes complicações.

Instagram